Algoritmo EPM para Localização de Vias Acessórias

A localização precisa das vias acessórias em pacientes com pré-excitação ventricular ou síndrome de Wolff-Parkinson-White (WPW) é um desafio frequente na eletrofisiologia. Embora existam algoritmos amplamente utilizados, como os de Arruda e EASY, o novo algoritmo EPM oferece uma abordagem sistemática e didática, facilitando a identificação e tratamento dessas vias de condução anômalas. Neste post, vamos explorar como esse algoritmo funciona e seus principais resultados.
A Importância da Localização Correta das Vias Acessórias
No contexto da síndrome de WPW, a identificação precisa da localização da via acessória é crucial para o sucesso de procedimentos terapêuticos, como a ablação por cateter. A ablação guiada pela localização correta das vias acessórias permite a interrupção eficaz da pré-excitação ventricular, evitando complicações associadas, como arritmias supraventriculares.
O Algoritmo EPM: Como Funciona?
O algoritmo EPM foi desenvolvido para fornecer um método lógico e estruturado para a localização das vias acessórias no eletrocardiograma (ECG). Ele segue três etapas principais, que podem ser lembradas pelo acrônimo EPM:
- Etapa “E” (Esquerda ou Direita?): Nesta fase, o objetivo é determinar se a via acessória está no lado esquerdo ou direito do coração. Para isso, são observadas duas características:
- Presença de uma onda delta negativa na derivação D1 ou aVL.Presença de onda R maior que a onda S em V1.
- Etapa “P” (Localização Anterior ou Posterior?): A polaridade da onda delta na derivação D3 é analisada. Se a onda delta for negativa, indica uma via posterior; se for positiva, indica uma via anterior.
- Etapa “M” (Migração da Polaridade no Precordial): Exclusiva para vias à direita. A mudança de polaridade antes de V3 indica uma via septal direita, enquanto a mudança após V4 indica uma via lateral direita.

Comparação com Algoritmos Tradicionais
O estudo que avaliou o EPM comparou sua precisão diagnóstica com os algoritmos de Arruda e EASY. Os resultados demonstraram que o EPM teve uma taxa de precisão diagnóstica de 51,45%, enquanto o algoritmo de Arruda alcançou 53,29% e o EASY 44,69%. Embora esses números possam parecer modestos, é importante ressaltar que o EPM teve uma excelente variabilidade interobservador, com estatísticas Kappa acima de 0,9, indicando alta consistência entre diferentes examinadores.
Sensibilidade e Especificidade do Algoritmo EPM
O EPM apresentou uma sensibilidade de 95,73% para identificar vias no lado esquerdo ou direito do coração e uma especificidade de 74,33%. Esses valores são comparáveis aos de algoritmos amplamente utilizados, o que torna o EPM uma ferramenta promissora para a prática clínica.
Exemplos de Aplicação
Na seção de Ferramentas do nosso site, você encontrará exemplos práticos de aplicação do algoritmo EPM.
Conclusão
O algoritmo EPM oferece uma abordagem passo a passo eficaz e intuitiva para a localização de vias acessórias, equiparando-se aos algoritmos tradicionais com a vantagem de ser altamente consistente entre diferentes operadores. Sua aplicação na prática clínica pode otimizar a localização das vias e melhorar os resultados em procedimentos de ablação. Com base nos resultados promissores, o EPM se destaca como uma ferramenta robusta no arsenal da eletrofisiologia.
Referências
- de Alencar Neto JN, Sakai MH, de Almeida Neto RG, Scheffer MK, Alencar e Silva GPS, Cirenza C, et al. EPM algorithm: A stepwise approach to accessory pathway localization in ventricular pre-excitation. J Electrocardiol. 2024;84(500):1–8.

Dr. Matheus Kiszka Scheffer
Especialista em ECG
Médico Cardiologista e Arritmologista, com formação e atuação no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Autor e editor dos livros Eletrocardiograma de A a Z e Eletrocardiograma na Síndrome Coronária Aguda, dedica-se ao ensino estruturado e baseado em evidências do ECG. É fundador do Aprenda ECG e criador do curso Mestre do ECG, projetos voltados à formação prática e aprofundada na interpretação eletrocardiográfica.
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