O flutter atrial é uma arritmia supraventricular com padrão eletrocardiográfico característico, mas que ainda confunde muitos estudantes e até profissionais. Este artigo vai te ajudar a dominar o diagnóstico do flutter, compreendendo seu mecanismo, suas manifestações no traçado e as particularidades da condução atrioventricular (AV).
🧠 Mecanismo do Flutter Atrial
O flutter é uma arritmia macro-reentrante que ocorre nos átrios, sendo a forma mais comum o flutter típico, que gira no sentido anti-horário ao redor do anel tricúspide, no átrio direito. Esse circuito depende de uma região de condução lenta chamada istmo cavo-tricúspide, entre a veia cava inferior e o anel da válvula tricúspide.
A frequência de ativação atrial no flutter geralmente varia entre 240 e 340 bpm. Como o nodo AV não consegue conduzir todos esses estímulos aos ventrículos, ocorre um bloqueio parcial, mais comumente 2:1, mas podendo ser 3:1, 4:1 ou variável.
🔁 A onda F: “serrote” no ECG
O padrão clássico do flutter atrial é a onda F serrilhada, também chamada de “ondas em dente de serra”, mais evidente nas derivações D2, D3 e aVF. Ao contrário da fibrilação atrial, em que não há organização da atividade atrial, o flutter apresenta uma atividade atrial regular, embora com ondas P ausentes e substituídas pelas ondas F.
A morfologia dessas ondas pode variar dependendo da direção do circuito reentrante:
- Flutter típico anti-horário (mais comum): ondas F negativas em D2, D3 e aVF e positivas em V1.
- Flutter típico horário: ondas F positivas em D2,D3 e aVF e negativas em V1.

📉 Critérios Eletrocardiográficos
Para identificar um flutter atrial no ECG, procure:
- Onda F serrilhada (dente de serra), especialmente visível em D2, D3 e aVF
- Ausência de linha isoelétrica entre ondas F
- Frequência atrial entre 240–340 bpm
- Ritmo ventricular regular ou irregular, dependendo da condução AV
- Complexos QRS geralmente estreitos (exceto em casos com aberrância de condução)

🔄 A condução AV pode ser irregular
Embora o flutter clássico seja muitas vezes associado a um ritmo ventricular regular com bloqueio AV fixo (como 2:1), o flutter também pode se apresentar com condução variável ao nodo AV. Isso é importante, pois muitos confundem esse padrão com fibrilação atrial.
O que causa a irregularidade?
A condução AV variável pode ocorrer espontaneamente ou ser induzida por drogas que alteram a refratariedade do nodo AV (como betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio ou digoxina). Nessas situações, o intervalo RR torna-se irregular, mas a atividade atrial continua regular — a chave para o diagnóstico correto.
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