Fluxograma para reconhecer padrões sugestivos de troca ou posicionamento inadequado dos eletrodos em um ECG de 12 derivações.
Etapa 1
Há traçado isoelétrico em alguma derivação bipolar do plano frontal?
O resultado indica uma suspeita técnica, não um diagnóstico clínico. Confirme a posição dos eletrodos e repita o ECG antes de interpretar alterações potencialmente produzidas pelo posicionamento.
Ferramenta de apoio ao estudo e à decisão. O resultado não substitui a avaliação clínica do paciente.
Sobre: Algoritmo IDPC
A troca ou o mau posicionamento dos eletrodos é uma das causas mais comuns de ECG alterado sem doença. Pode simular infarto, dextrocardia, sobrecargas e alterações de eixo, e levar a condutas desnecessárias.
O algoritmo IDPC organiza, em um fluxograma, os sinais que mais sugerem erro técnico nas derivações dos membros e nas precordiais.
Como usar
Comece pelas derivações bipolares do plano frontal: alguma está isoelétrica (quase reta)?
Avalie a morfologia da onda P nas derivações dos membros, especialmente em DI e aVF.
Termine pelas precordiais: progressão de R/S e o aspecto de V1 e V2.
Como interpretar
Uma derivação bipolar isoelétrica sugere que um eletrodo de braço foi colocado na perna direita.
Onda P negativa em DI sugere troca entre os braços; se também for negativa em aVF, entre braço direito e perna esquerda.
Progressão de R/S fora da sequência anatômica sugere troca entre precordiais; alterações de P e R em V1–V2 sugerem posicionamento alto ou baixo demais.
Limitações
O resultado indica uma suspeita técnica, não um diagnóstico. Confirme a posição dos eletrodos e repita o ECG antes de interpretar alterações que possam ter sido produzidas pelo posicionamento.
Referências
de Almeida VJ, Costa-Lança CH, de Souza-Gouveia MC, Nogueira-de Marchi MF, Nunes-de Alencar J. ECG lead misplacement review and proposal of a simple identification tool: the IDPC algorithm. Rev Interam Cardiol. 2026;2(3). doi:10.24875/RIAC.25000042
Batchvarov VN, Malik M, Camm AJ. Incorrect electrode cable connection during electrocardiographic recording. Europace. 2007;9(11):1081–90.