Desafios ECG

Desafio ECG 4: Um caso de dor torácica e dispneia súbita

Dr. Matheus Kiszka Scheffer
Dr. Matheus Kiszka Scheffer
Autor
14 de março de 20262 min de leitura0 visualizações
Desafio ECG 4: Um caso de dor torácica e dispneia súbita
Desafio ECG 4: Um caso de dor torácica e dispneia súbita

Caso Clínico

Homem de 54 anos, previamente hígido, é admitido no pronto-socorro com dor torácica súbita e dispneia progressiva há aproximadamente 2 horas.

Nega febre, tosse ou antecedentes cardíacos.

Ao exame:

  • FR: 26 irpm
  • Saturação: 90% em ar ambiente
  • Bulhas normofonéticas, sem sopros
  • Murmúrio vesicular presente, discretamente reduzido na base direita

Foi realizado ECG de 12 derivações na admissão.

Eletrocardiograma mostrando padrão S1Q3T3 e taquicardia sinusal

ECG inicial – observar padrão sugestivo de sobrecarga aguda do ventrículo direito

Pergunta

Qual o achado eletrocardiográfico mais sugestivo do diagnóstico clínico? Qual a conduta inicial apropriada?


Resposta comentada

1) Achado principal no ECG

O traçado demonstra:

Caracterizado por:

  • Onda S profunda em D1
  • Onda Q em D3
  • Onda T invertida em D3

Esse padrão é classicamente associado a tromboembolismo pulmonar (TEP).

2) Interpretação fisiopatológica

O TEP provoca aumento súbito da resistência vascular pulmonar, levando a:

  • Sobrecarga aguda do ventrículo direito
  • Desvio do eixo para a direita
  • Alterações secundárias da repolarização

O padrão S1Q3T3 reflete essa sobrecarga aguda do ventrículo direito, embora seja pouco sensível.

3) Outros achados possíveis no TEP

  • Taquicardia sinusal (achado mais frequente)
  • Desvio do eixo para a direita
  • Bloqueio de ramo direito novo ou incompleto
  • Inversão de T em V1–V4
  • P pulmonale
  • Alterações inespecíficas de ST-T

O ECG pode ser normal. Nenhum achado isolado confirma o diagnóstico.

4) Conduta inicial

Diante de alta suspeita clínica de TEP:

  • Oxigenoterapia
  • Estratificação de risco hemodinâmico
  • Solicitação de angioTC de tórax com contraste (se estável)
  • Início precoce de anticoagulação, se não houver contraindicações

Em pacientes instáveis, considerar avaliação imediata para trombólise sistêmica.

Pontos práticos

  • Taquicardia sinusal é o achado mais comum no TEP.
  • S1Q3T3 é clássico, porém pouco sensível.
  • O ECG auxilia na suspeição, não confirma diagnóstico.
  • A decisão terapêutica depende do risco hemodinâmico.

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Dr. Matheus Kiszka Scheffer

Dr. Matheus Kiszka Scheffer

Especialista em ECG

Médico Cardiologista e Arritmologista, com formação e atuação no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Autor e editor dos livros Eletrocardiograma de A a Z e Eletrocardiograma na Síndrome Coronária Aguda, dedica-se ao ensino estruturado e baseado em evidências do ECG. É fundador do Aprenda ECG e criador do curso Mestre do ECG, projetos voltados à formação prática e aprofundada na interpretação eletrocardiográfica.

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