Desafio ECG 3: Você consegue identificar as pistas que levaram ao diagnóstico de OCA?

Caso Clínico
Mulher de 64 anos, admitida no pronto-socorro com dor torácica típica de origem isquêmica.
O eletrocardiograma inicial evidencia bloqueio de ramo esquerdo (BRE).
Nesse contexto, o ECG ainda pode ser útil para o diagnóstico de oclusão coronária aguda (OCA)?
ECG com BRE – avaliar critérios de oclusão coronária aguda
Resposta comentada
1) BRE não inviabiliza o diagnóstico de OCA
Historicamente, o BRE dificultava o reconhecimento de infarto agudo do miocárdio.
Atualmente, sabemos que alterações específicas do segmento ST podem indicar oclusão coronária aguda mesmo na presença de BRE.
Entre os principais critérios utilizados estão:
- Critérios originais de Sgarbossa
- Critério modificado de Smith
- Algoritmo de Barcelona (Di Marco)
2) O achado-chave neste ECG
No traçado apresentado, observa-se:
- Derivação aVR com QRS de amplitude < 6 mm
- Supradesnível de ST de aproximadamente 1 mm
Esse padrão corresponde a um dos critérios do Algoritmo de Barcelona.
3) Quando o algoritmo de Barcelona sugere OCA?
O algoritmo é considerado positivo para oclusão coronária aguda quando há:
- Supradesnível de ST > 1 mm concordante com o QRS
- Infradesnível de ST > 1 mm concordante com o QRS
- Desnível de ST > 1 mm discordante do QRS, com amplitude de R ou S < 6 mm
No caso em questão, o terceiro critério está presente.
Portanto, mesmo com BRE, o ECG sugere OCA em curso.
4) Confirmação angiográfica
A cinecoronariografia evidenciou lesão suboclusiva de um grande ramo ventricular posterior.
A paciente foi submetida à angioplastia com implante de stent.
Pontos práticos
- BRE não exclui OCA.
- Critérios modernos aumentam sensibilidade diagnóstica.
- Amplitude do QRS é parte essencial da análise.
- O ECG continua sendo ferramenta decisiva na sala de emergência.
Referências
- Di Marco A, Rodríguez M, Cinca J, et al. New Electrocardiographic Algorithm for the Diagnosis of Acute Myocardial Infarction in Patients With Left Bundle Branch Block . J Am Coll Cardiol. 2020;75(5):505-515.

Dr. Sandro Pinelli Felicioni
Especialista em ECG
Cardiologista, especialista em Ergometria e Reabilitação Cardíaca, doutor em Ciências pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, onde atua no Setor de Tele-Eletrocardiografia. Também é editor do site Aprenda ECG.
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