Desafios ECG

Desafio ECG 3: Você consegue identificar as pistas que levaram ao diagnóstico de OCA?

Dr. Sandro Pinelli Felicioni
Dr. Sandro Pinelli Felicioni
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06 de março de 20262 min de leitura0 visualizações
Desafio ECG 3: Você consegue identificar as pistas que levaram ao diagnóstico de OCA?
Desafio ECG 3: Você consegue identificar as pistas que levaram ao diagnóstico de OCA?

Caso Clínico

Mulher de 64 anos, admitida no pronto-socorro com dor torácica típica de origem isquêmica.

O eletrocardiograma inicial evidencia bloqueio de ramo esquerdo (BRE).

Nesse contexto, o ECG ainda pode ser útil para o diagnóstico de oclusão coronária aguda (OCA)?

Eletrocardiograma mostrando bloqueio de ramo esquerdo com alterações do segmento ST sugestivas de oclusão coronária aguda

ECG com BRE – avaliar critérios de oclusão coronária aguda


Resposta comentada

1) BRE não inviabiliza o diagnóstico de OCA

Historicamente, o BRE dificultava o reconhecimento de infarto agudo do miocárdio.

Atualmente, sabemos que alterações específicas do segmento ST podem indicar oclusão coronária aguda mesmo na presença de BRE.

Entre os principais critérios utilizados estão:

  • Critérios originais de Sgarbossa
  • Critério modificado de Smith
  • Algoritmo de Barcelona (Di Marco)

2) O achado-chave neste ECG

No traçado apresentado, observa-se:

  • Derivação aVR com QRS de amplitude < 6 mm
  • Supradesnível de ST de aproximadamente 1 mm

Esse padrão corresponde a um dos critérios do Algoritmo de Barcelona.

3) Quando o algoritmo de Barcelona sugere OCA?

O algoritmo é considerado positivo para oclusão coronária aguda quando há:

  • Supradesnível de ST > 1 mm concordante com o QRS
  • Infradesnível de ST > 1 mm concordante com o QRS
  • Desnível de ST > 1 mm discordante do QRS, com amplitude de R ou S < 6 mm

No caso em questão, o terceiro critério está presente.

Portanto, mesmo com BRE, o ECG sugere OCA em curso.

4) Confirmação angiográfica

A cinecoronariografia evidenciou lesão suboclusiva de um grande ramo ventricular posterior.

A paciente foi submetida à angioplastia com implante de stent.

Pontos práticos

  • BRE não exclui OCA.
  • Critérios modernos aumentam sensibilidade diagnóstica.
  • Amplitude do QRS é parte essencial da análise.
  • O ECG continua sendo ferramenta decisiva na sala de emergência.

Referências

  1. Di Marco A, Rodríguez M, Cinca J, et al. New Electrocardiographic Algorithm for the Diagnosis of Acute Myocardial Infarction in Patients With Left Bundle Branch Block . J Am Coll Cardiol. 2020;75(5):505-515.

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Dr. Sandro Pinelli Felicioni

Dr. Sandro Pinelli Felicioni

Especialista em ECG

Cardiologista, especialista em Ergometria e Reabilitação Cardíaca, doutor em Ciências pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, onde atua no Setor de Tele-Eletrocardiografia. Também é editor do site Aprenda ECG.

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